segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Generation ICE cold



Os adolescentes de hoje seriam a Geração Gelo?


 
Publicado por Susana em 10 de setembro de 2010.
Leiam esse interessante texto de Clarissa Helena Pereira de Castro Prôa, da 3B1 (Colegio Bandeirantes).
O texto, além de muito bem estruturado, apresenta uma argumentação consistente e uma unidade que vai do título à Conclusão.


Geração geloAdolescência: época de desenvolvimento de uma pessoa, a idade na qual sonhar é lei. É o tempo de apaixonar-se incessantemente, de iludir-se e desiludir-se, é a parte da vida em que as pessoas são completos paradoxos e sentem que têm "a vida inteira pela frente". Portanto, "carpe diem". Apesar de esse lema ser comum na juventude atual, são poucos os jovens que veem tanto romantismo na vida. O adolescente contemporâneo de classe média e alta é frio e vê sua vida resumida ao momento.
A frieza atual desses jovens reflete-se nas suas decisões pragmáticas, como a escolha profissional do jovem vestibulando. Sua visão é puramente racional: visa-se à remuneração e status profissional, sobretudo. Esse pragmatismo implica a deterioração dos interesses humanísticos do adolescente atual, como evidencia a ideia que este tem sobre aulas de filosofia e sociologia no colégio, matérias agora definidas obrigatórias. A maioria vê tais aulas como inúteis, já que ocupam tempo de matérias mais pedidas em vestibulares. Portanto, esses adolescentes não estão interessados em autoconhecimento ou em entender a sociedade em que vivem para transformá-la, mas sim em obter informações necessárias para entrar nas melhores faculdades o mais cedo possível a fim de começar a ganhar dinheiro e alcançar sucesso em sua carreira.
Entretanto, a falta de paixão na geração de jovens atual não se resume a aspectos intelectuais apenas, mas também a aspectos emocionais. Soa contraditória tal afirmação, mas esta é facilmente compreendida. O número de adolescentes na atualidade que começa a frequentar "baladas" a partir dos doze anos é enorme e, ao contrário do que muitos pais pensam, não é somente para dançar, em sua maioria. Tanto as meninas quanto os meninos fazem jogos de "quem beija mais" em uma noite, sem sequer saber o nome de quem se beija. Com o famoso "ficar", perde-se, na atualidade, o ideal de "príncipe encantado" e "donzela delicada" e valoriza-se a diversão: é antiquado aquele que tem parceiro fixo. A vida, para esses jovens, é curta e deve ser aproveitada. Não há apego a ninguém por essas criaturas que não percebem quanto tempo ainda têm, tempo cujo melhor modo de ser aproveitado é estando próximo de pessoas com as quais se têm vínculo afetivo forte e se compartilha experiências.
Em suma, apesar de suas exceções, a juventude atual perdeu seu romantismo tanto pela vida quanto pelas pessoas e definiu prioridades muito pragmáticas, relacionadas ao sucesso e à diversão, ambos concebidos com racionalidade e frieza. Essa falta de paixão poderia ser combatida com reestruturação na dinâmica familiar do jovem, pois mais diálogo entre o mesmo e seus familiares certamente o ajudariam a repensar sobre o modo que encara a vida, muito mais ao escutar experiências dos mais velhos. Mudanças no sistema educacional também contribuiriam para que os adolescentes atuais vissem sua realidade de forma mais abrangente, uma vez que as escolas e os vestibulares deveriam dar maior prioridade a assuntos humanísticos, a fim de formar adultos dispostos a contribuir com o mundo sendo seres humanos melhores.