domingo, 22 de fevereiro de 2015

Uma fase da vida atrás da outra



Talvez tenha sido ato falho, pois a interpretação poderia levar a crer que uma vida está atrás de uma outra vida, outra pessoa. Mas a intenção é pensar sobre nossas vidas compostas de fases.

Estava eu cuidando da minha vida, num passeio muito descontraído de motocicleta depois de um café com amigos em um buteco muito agradável, quando me deparei que o sol estava se pondo. E que aquela pessoa com quem eu vinha curtindo estes momentos, como um destes, já não estava mais ao meu lado. Nem para este momento, nem para os outros.

Significa que deixei de ter este momento à minha disposição? Ou que não vou acrescentá-lo à lista de coisas boas que presenciei? Ou que agora eu adicionaria este e outros tantos momentos não compartilhados, a uma lista de coisas não tão boas?

Refleti, e pensei que o que faria seria uma entrada no blog. Aqui está. No exame de minha vida observo as fases se alternando: dividindo com uma pessoa designada, e não dividindo com uma pessoa designada. O que não quer dizer que na fase sem essa "sócia"deixei de dividir bons momentos com outras pessoas.

Declaro-me incapaz de avaliar comparativamente os momentos dos dois tipos de fases. Percebo que a felicidade daquele momento juntos, ficou naquele instante. Agora que reside na memória, a o peito se aperta e não consigo dizer se foi bom, o melhor, o não tão bom.

Parafraseando um outro autor, quero crer que não tenham sido bons ou ruins, apenas o que estava acontecendo. E que tudo é bom. Quero crer. E esta é a palavra que traz uma imagem borrada sobre o momento: "quero". Eu quero ter esse momento com essa pessoa agora. Não daqui a seis meses, não daqui a um ano. Agora, e eu quero.

Quero dar um abraço apertado na minha filha, agora. Trocar gargalhadas com meu filho, agora. O tempo é curto, e tenho que trilhar ruas inóspitas de tempo sem os momentos que gostaria de ter.

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