quinta-feira, 25 de março de 2010

Não sei se sou um animal ou deveria me comportar em prol de melhores relaçoes pessoais


Meu amigo Pelúcia (casado, hetero, e não fui eu quem colocou o apelido) me mandou esta, que me fez refletir.
Porque eu invado a casa dos outros mesmo. Quem sabe eu deva aprender.
 
 
QUINDINS NA PORTARIA
 
Martha Medeiros

 

Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: "Para estar ao lado sem pesar com a presença".   Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque não pesar aos outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.
 
Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura.
 
Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário.
Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados.
 
Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.
Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.
Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.
Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho.
Pessoas estão jantando.
Pessoas estão preocupadas.
Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo.
Pessoas estão chorando.
Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.
Pessoas estão se amando.
Avise que está a caminho. Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.
Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los, sabendo que nada interromperei do lado de lá.
Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade.
Dizemos pelo computador coisas que, face a face, seriam mais trabalhosas.
Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo?
Nem se discute que o encontro é sagrado.
Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios.
Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela.
Quando mando flores, vou junto com o cartão.
Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. 

Também é estar junto.
Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço.

 


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7 comentários:

Vavá disse...

MR,

Martha é genial, adoro a forma como trata as questões da vida e das relações inter-pessoais.

Falando nisso, minha pesada (pero no mucho) presença , está saudosa da sua leve visita.

Apareça brimo!

Abraços

Denise disse...

Então sou cheia de frescuras
estava com saudades sua

(deixo um bilhetinho de saudades enrolado em uma fita azul)

carinho

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Olá, Marcos! Boa Páscoa!

*Recado
poema da Renata

eu mandei um recado

e nele estava escrito isto

não estou disponível nas praças

ou nas placas de sinalização

não estou na algazarra dos protestos

ou nos gritos de gente enlouquecida

e a bandeira que levanto ninguém olha

por isso não me acham, se procuram

ou esquecem ou ignoram

são tão broncos que adoram

a beleza que traz guerra

não enxergam que estou perto

vestido de branco, esperando

mas ninguém encontra fácil

um simples acordo de paz*

Beijos!
Renata

Cris Teles disse...

Sou suspeita pois adoro os textos da Martha Medeiros. Leio sempre!!! E esse eu não conhecia, mas como sempre, muito bom e nos faz refletir demais! Acho q a carapuça serviu um pouco para mim também!
Beijos!

MR disse...

Obrigado Queridas e Feliz Pascoa para voces.

MR disse...

Chag Pessach Sameach! Com muito chocolate aqui em casa, Vavá. Mas só para as visitas. Fica na tua dieta que a Luciana é brava!

Anônimo disse...

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