quarta-feira, 9 de julho de 2008

O lixo das quartas-feiras


Triste. Hoje coloco o lixo reciclável para ser recolhido no prédio.

Mas no caminho para o trabalho, vejo três pessoas em três diferentes esquinas, abrindo os sacos de lixo, sentados no chão, procurando algo para comer, vender, trocar. Depois fechando.

Na natureza existem as espécies que limpam a terra - abutres, hienas, larvas, etc. Triste ver que uma raça tão evoluída participe desta etapa da cadeia alimentar. Deve ter algum motivo. Imagino o estado meditativo do cidadão (que talvez deva ser chamado de invidíduo, pois se fosse cidadão de alguma cidade decente, não teria que se rebaixar a esse ponto) realizando tal tarefa.
Talvez tenha uma enorme paz mental. Uma vida mais simples impossível. Não que eu a deseje para ninguém. Mas quem sou eu para ter pena de alguém? Não é pena não. É espanto e compaixão que sinto. E como já refleti antes, por algum motivo aquela alma queria passar por isso.

Um comentário:

Paula Basques disse...

Essa é uma das coisas que mais me machuca e comove. Sinto compaixão também, mas acho que o descaso dos políticos e dos governos com o povo. Ainda mais em um país como esse, em que terra não falta!

Beijo